Blue Living - Be water my friend..

...mais do q pessoal, reflexoes sobre a crescente desumanidade social e sobre as nossas lendas pessoais...a minha? o mar!

Terça-feira, Fevereiro 09, 2010

Failure

"We have to make our own mistakes. We have to learn our own lessons. We have to sweep today’s possibility under tomorrow’s rug until we can’t anymore, until we finally understand for ourselves like Benjamin Franklin meant. That knowing is better than wondering, that waking is better than sleeping. And that even the biggest failure, even the worst most intractable mistake beats the hell out of never trying."

Sábado, Fevereiro 06, 2010

Carta a São Valentim

"Caro São Valentim:

Não percebi em altura alguma, porque deriva o teu santo nome de Valente.

Quando eu amo e sinto tudo menos coragem e bravura a ferver no sangue.

Desculpa São Valentim, aliás Valentim, para abreviar - perdoa-me a ousadia - mas porque é que te deixaram a tão pesada tarefa de uma vez por ano, espalhares a magia do romance pelo mundo inteiro, qual Pai Natal de trenó a espalhar presentes, mais ainda quando ninguém já acredita no Pai Natal?

Por isso, Valentim, este ano, passa ao lado da minha triste e solitária morada.Quero manter-me em tremor e agitação ofegante, disfarçada, cada vez que a vejo e lhe sinto o aroma da pele.Deixa-me em segurança, longe o suficiente dos encantos dela para não me sentir tentado a tocar-lhe, e levar uma palmada.

E pensa nisto Valentim, se porventura lhe toco na mão quente, sofrida,marcada mas ainda assim tão apetecivel como este Sol de Inverno, e de uma mão entrelaçada, passamos a duas mãos entrelaçadas por entre um cobertor e luz de velas num sofá?

Pior Valentim, eu que tenho coração fraco, resistiria ao aperto ainda mais apertado dum abraço no escuro?Nem falo daquele olhar incandescente... Como poderia eu viver sem navegar naquele mar?

Entende-me Valentim, e escusa-me da tua responsabilidade de chocolate espanhol.

Aquele olhar constroi pontes para dentro de mim... vejo constelações, Orion, Cassiopeia,Estrela Cruzeiro do Sul, Estrela Polar, Planeta Venús.

Sereia irresistivelmente maravilhosa que me fascina e me puxa para os rochedos.

Sabes, quando me aproximo dela por trás, enquanto ela aquece no fogo quente a sua vida fria,sinto aquele magnetismo inexplicavel, uma vontade de descobrir seu pescoço por entre os seus cabelos, e espetar lhe os meus lábios com a droga deste fascinio, na pele.

Mas não o faço. Não sou bravo. Tenho receio, medos que só o escuro entende.

Valentim, se as suas mãos me puxarem para o abismo sem fundo, que não seja porque me empurraste, mas sim porque Ela me transformou, me entende.

E me espera nada mais nada menos que uma agradavel queda sem fim, embrulhado em seus longos cabelos,coroado com um eterno ósculo.

Perdoa-me Valentim, não tenho bravura nem coragem, mas não preciso de ti para ser feliz...Preciso d´Ela."

Quinta-feira, Fevereiro 04, 2010

Alquimia

" Fui rocha em tempo, e fui no mundo antigo
tronco ou ramo na incógnita floresta...
Onda, espumei, quebrando-me na aresta
Do granito, antiquíssimo inimigo...

Rugi, fera talvez, buscando abrigo
Na caverna que ensombra urze e giesta;
O, monstro primitivo, ergui a testa
No limoso paúl, glauco pascigo...~

Hoje sou homem, e na sombra enorme
Vejo, a meus pés, a escada multiforme,
Que desce, em espirais, da imensidade...

Interrogo o infinito e às vezes choro...
Mas estendendo as mãos no vácuo, adoro
E aspiro unicamente à liberdade."



Antero de Quental

Sexta-feira, Janeiro 15, 2010

A Viagem



"Morre lentamente quem não viaja,
Quem não lê,
Quem não ouve música,
Quem destrói o seu amor-próprio,
Quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente quem se transforma escravo do hábito,
Repetindo todos os dias o mesmo trajecto,
Quem não muda as marcas no supermercado,
não arrisca vestir uma cor nova,
não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente quem evita uma paixão,
Quem prefere o "preto no branco"
E os "pontos nos is" a um turbilhão de emoções indomáveis,
Justamente as que resgatam brilho nos olhos,
Sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos.

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho,
Quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho,
Quem não se permite,
Uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da chuva incessante,
Desistindo de um projecto antes de iniciá-lo,
não perguntando sobre um assunto que desconhece
E não respondendo quando lhe indagam o que sabe.

Evitemos a morte em doses suaves,
Recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior do que o
Simples acto de respirar.
Estejamos vivos, então!"

Pablo Neruda

Quarta-feira, Dezembro 23, 2009

Espelho

As tormentas abatiam-se demoradamente sobre o tejadilho do carro, em vagas sucessivas. Ordas imperiais faziam a musica do universo ressoar no metal, numa sinfonia que abafou tudo o resto, até o silêncio do pensar.
O escuro tornava tudo surreal e misterioso. Nao se via vivalma.
Ela caminhava como se caissem petalas do céu em vez de gotas, impavida, calçando apenas chinelos de casa. Um gorro guardava-lhe as ideias e o cabelo desgrenhado.
Nao parecia ter rumo certo, apenas se sentia confortavel junto ao ruido do mar galgando as pedras amarelas da praia.
Levava uma manta riscada pelas costas, de bainhas incertas e certamente companhia da sua permanente viagem.
Talvez as pessoas erradas ou as opçoes dificeis que nao foram tomadas... Talvez o nao gostar do seu reflexo, nao se conhecer naquelas linhas pouco definidas e estranhas. Quem sabe se nao foi a falta do amor proprio mais que do errado e incoveniente amor alheio?
Quem sabe para onde iria? Quem sabe para onde irá?
Cruzei olhar com ela, languidamente... eu podia estar ali... aquele podia ser o meu reflexo.
Um destino sem coincidencias, uma vida sem sinais. E era o que bastava para numa noite de magia, estar fechado e enrolado num cobertor sem esperança.
Nao te assustes, venho-te ajudar. Posso ser a lufada de ar fresco que precisas num dia de calor, ou o trago gelado numa noite abafada de calor.
Respeita quem te respeita, e nao sejas complacente para quem se esconde atras de um fraco amor para te manter presa por manipulados cordeis.
Ainda que despida e chorando, caminha erguida, pois esse é o teu caminho para a purificaçao.
Descobre o teu rosto, e revela o teu sorrir. Parte para longe, mas viaja dentro de ti.
Esquece quem te magoa, abandona os que inconscientemente ja o fizeram. Nao te deixes dominar e escolhe bem os teus aliados.
Escolhe um outro reflexo de espelho que nao esse. O teu Tempo chegou.

Quarta-feira, Dezembro 16, 2009

"Bailarina"



Bailarina, rumas sem tino, fazendo corar até o Destino.
Ofereces-me metade da tua cara fria e nua, para que eu entenda, que és senhora, feitiço de Lua.
Dançando com duas conchas na mão, acenas-me balançando um sim e cantarolando um sorridente não.
Pensando que pisas no solo, escapa-te que te vejo bem alto, voando alada com as plumas que te fizeram acreditar não ter. E ainda que te julgues parada, eu vejo-te em dançante crescer.
Talvez seja musico de fraca bitola, poeta sem magia nem veia, rude de escrita. Mas ainda assim, sem saber ler nem escrever, aprendo a soletrar "Porquê?".
Observo-te à beira de um precipicio, onde certamente eu cairei, mas esse teu delicioso olhar será sem dúvida o último dos deleites que comigo levarei.
Dizem-te oriunda de terras longinquas, mestre de danças exóticas, senhora de águas e ventos, fortalezas de ar e castelos de espuma.
Mas na minha certeza de maresia, paciência de marinheiro, reconheço-te de todo o lado e de lado algum.
No teu doce balanço, sereia e encanto, não trazes a resposta à minha pergunta, mas guardas em ti a mensagem.
Não te persigo, acompanho-te, não te chamo, apareces, não te desejo, tenho-te em mim.
Por isso bailarina, ouve esta harmonia, que reconheces casualmente e coincidentemente, não sendo minha nem tua,e dá-me o prazer desta última dança.

Segunda-feira, Dezembro 07, 2009

Who the cap fit.

Man to man is so unjust, children:
Ya don't know who to trust.
Your worst enemy could be your best friend,
And your best friend your worst enemy.

Some will eat and drink with you,
Then behind them su-su 'pon you.
Only your friend know your secrets,
So only he could reveal it.
And who the cap fit, let them wear it!
Who the cap fit, let them wear it!
Said ah throw meh corn, me no call no fowl;
Ah saying, "Cook-cook-cook, cluk-cluk-cluk."

Some will hate you, pretend they love you now,
Then behind they try to eliminate you.
But who Jah bless, no one curse;
Thank God, we're past the worst.
Hypocrites and parasites
Will come up and take a bite.
And if your night should turn to day,
Ah lot of people would run away.
And who the cap fit let them wear it!
Who the (cap fit) let them (wear it)!


Bob Marley

Iemanjá

"Procura-me, e encontra-me. Eu sou a resposta para as tuas perguntas. Tu és a cura para as minhas dores."

Passando uma barreira temporal e virando sexagenário, reuniu em torno de si à mesa, os seus entes queridos. Sem espaço para amigos na vida, não era de esperar que houvessem lugares vagos com espaço dedicado a quem não marca os seus dias.
Apagadas as pequenas flamas incandescentes e entoados os ritos, são atingidos os propósitos da pequena e reservada celebração.
Apressado, prestei-me a desimpedir a mesa, para as conversas fluirem sem necessidade das palavras contornarem obstáculos.
Terminado, fiz-me notar invisivel e acomodei-me a um canto da sala de jantar, perto da lareira e fechei os olhos.
As vozes à mesa baixaram de volume e o tom vestiu-se de sussurro segredado.
Sussurravam sobre mim.
Atento e incrédulo, ouvi a sua confessa falta de fé, demérito, falta de confiança, paternalismo arrogante e acusações sobre o meu pouco empenho e quase nula dedicação à minha carreira profissional.
Em silêncio, escutei.
Lacriflamejante, enrolei-me no cachecol, tapei a alma com os óculos de sol, vesti o primeiro casaco que encontrei, bafiento, com sabor a noite de Sábado.
O meu tio, olhava para mim, ao canto da sala, e sem conseguir mais que arregalar os olhos, alternava a atenção para a mesa do outro lado do "L".
Engoli em seco, aproximei-me sem que dessem conta, coloquei calmamente a mão direita em cima da mesa, acalmando o peito com a mão esquerda e disse:
"Lamento muito, sinto muita pena mesmo que pensem assim. Que sintam assim. Os negócios não descem mais, graças ao meu esforço, mas a minha fé em vocês não para de descer."
A minha avó, a outro interlocutora da conversa, exclamou imediatamente em tom aflito:
"Oh Meu Deus!! Tal e qual!! Não é nada disso que tu estás a pensar!!"
Ainda me doeu mais.
Virei as costas, não liguei nenhuma. Sem pestanejar para trás deixei a casa dos meus pais.
Atordoado do golpe traiçoeiro, confuso e magoado, rumei para o único local onde sabia que teria o silêncio e o espaço para afundar as mágoas.
Cheguei ao meu cantinho à beira mar. Não havia lá mais ninguém, excepto um outro carro parado, também ele de preto como eu. Estacionei.
Coloquei o capuz do casaco e dirigi-me para o banco esculpido pelo Tempo na falésia, onde costumo encarar as energias do planeta e escutar as novidades do Universo.
Pouco ou nada me faz sentido, quando tudo o que fazemos é pouco ou nada para quem admiramos e devemos respeito.
Em profunda silenciosa meditação e reverência, deixei que o vento me roubasse os pensamentos disformes e apunhalados.
Virei-me fixamente para o Mar.
Caminhei de Oriente para Ocidente, de Poente para Nascente, sem atitude de vitima da vida e tentando ser o milagre, um propósito para alguém, um instrumento nas mãos de uma força maior.
Passaram talvez vinte minutos, embrulhado neste novelo turbilhoso, quando o vento parou subitamente de soprar frio de Sul, e ouvi uma voz ao meu lado:
"Olá"
Virei-me. Era Ela.
Surgiram-me dicionários de poesia na garganta, mas não consegui articular mais que um atabalhoado e surpreso "Oi!"
Não esperava encontrar ninguém ali, muito menos ser encontrado, muito menos ser Ela.
Disse-lhe isso.
"Este é o teu lugar?" Perguntou-me. "O meu é aquela rocha ali, consegues ver?" Apontou na direcção do ultimo cabeço de falésia que apontava o horizonte para poente. "Está em fogo. Laranja. Consegues ver?"
Descobri os olhos e puxei ligeiramente o meu monástico capuz para trás e encarei-a no fundo dos olhos.
Senti-me em casa. Talvez ela se tenha também sentido.
Sorriu. Parou de sorrir. Sorriu novamente.
Sorri de volta.
"Ando meio perdido"
"Anda muita gente perdida por essa vida fora, mas eu não carrego comigo aquele que perdi, apenas aqueles que ganhei."
Faz sentido, pensei para os meus botões. Não posso ajudar quem não deseja ser ajudado, não posso ser limitado, por quem quer viver conformado.
Será que me ganhaste? Será que te ganhei ali?
"Talvez vá para a Austrália, Moçambique, quem sabe?" "Sabes como eu sou com as minhas indecisões. Tenho medo."
Certas inconstâncias do caracter, rimam com personalidade, rica e interessante. O mundo colapsou e tem caído em teu redor, mas ainda assim, aqui estás, aqui estamos."
Olhamo-nos e sorrimos. Sem paragens desta feita.
Senti o seu aconchego.
Olhei ao fundo, no horizonte, e vi o Céu em chamas.
Quando a procurei novamente ao lado, havia desaparecido, deixando atrás de si a sua silhueta feminina a ser levada pelo vento que entretanto retornou.
O frio dominou-me e regressou enquanto o Sol escapava, levando-a nos braços.
Senti o peso da solidão do missionário e chorei para o Mar, aberto, sem barreiras, coisa que nao fazia havia anos.
O apelo foi forte, e afagando a minha barba comprida e tisnada pela maresia salgada, vesti o fato ainda gélidamente molhado da última surfada, carreguei a prancha, os pés de pato, tranquei o carro e deixei a chave escondida no local de sempre. Iriam precisar depois.
Despedi-me e sai a correr por entre as escarpas até encontrar caminho que me guiasse até ao mar.
Saltei deslizando nos castelos de espuma, e remei com a determinação de quem sabe que nunca vai voltar a ser o mesmo em direcção ao horizonte, ainda em chamas.
Tenho que me perder, para me achar novamente.

Terça-feira, Outubro 13, 2009

Beija Flor

Num bosque não muito distante da babilónia, havia um pássaro que nem voar conseguia.
Quando se via espelhado nas águas mornas do lago que avivava o arvoredo, as suas penas não reluziam, e o seu cantar não fazia vibrar o ar.
Era uma criatura apagada e desapercebidamente interessante.
Onde todos os outros se anunciavam brilhantes, comparando plumagens e discutindo a mais bela e bonita flor que haviam beijado, ele consentia em silêncio o seu penitente insucesso.
Muitas vezes servindo de poleiro aos mais abusadores, nem isso o perturbava.
Como pouco tempo passava em dominio social, a sua esfera pessoal era para todos um enorme mistério.
Mas o seu ar de distante pensador, mostrava-lhes, sem tomar conta, que os verdadeiros voos são os das viagens que se realizam por dentro. A sua serenidade esculpida em pedra pelos dissabores da vida, incomodava e invejava.
O impacto da sua presença, simples e de linhas direitas, era ao contrário do que ele sonhava, um encanto. E apesar de voar bem assente no chão, em segredo todas as flores o admiravam.
Tudo o que é estranho encanta ou chama a atenção pela novidade e pela diferença.
Rapidamente se espalhou pelo bosque, fruto de frivolas conspirações coloridas de inveja, que a sua figura carregava cruzes e fardos de um passado, que o devia envergonhar.
Por não possuirem o seu porte, os ataques eram sucessivos e repetitivos.
Os argumentos e as histórias que se contavam rapidamente passaram a ser verdades assumidamente genuinas.
A injustiça possuiu-o quando encarou o que se passsava.
As flores que não o tinham como companheiro de primavera, pintavam-no o pior do pior.
Os teatrais e burlescos amigos, derramavam o verniz das alegações falsas sempre que podiam, tentando macular a sua plumagem.
À sua frente todo o mundo sorria; na sua sombra todos o apontavam.
"Arrogante, convencido, mimado, pretencioso, galanteador, ridiculo, egoísta, snob, descuidado, antipático, novo-rico, vaidosão, pavão" - alguns dos adjectivos qualificativos usados nas canções de grupo sobre a sua figura.
Dorido e magoado, optou por se recatar ainda mais.
Na sua ideia, o que poderia ele possuir que despertasse tanta atenção?
Olhando a constelação guia, apontou a direito para a estrela polar e de tanto caminhar em frente, fugindo do seu antigo reduto, acabou por se ver orientado pela estrela cruzeiro do sul - tinha dado a volta ao mundo.
Foi ai então que percebeu, que ele podia estar no outro canto do universo gerado... mas a ferida induzida na sua alma iria acompanha-lo. Não é a distancia que se percorre cá fora, é a viagem que se inicia por dentro que interessa.
Regressou.
E voltou ao que fazia antigamente: ainda mais simpático, ainda mais misterioso, ainda mais falado. O tempo iria-lhe dar razão.
O falatório gerado ultrapassou fronteiras... e de longe vinham outras aves para o virem ver, de longe, como quem espreita o teste do parceiro de carteira. As flores empinavam-se em falsa indiferença, mortinhas por o ter como exclusivo parceiro.
Escreveu um livro. Foi reconhecido universalmente pelas suas qualidades genuinas e humanas. Tornou-se um guru e um mestre.
Ascendeu a outra esfera e mesmo não voando, a sua energia olhava bem de cima os outros que outrora o julgavam.
Pois a diferença é um tesouro que se cultiva, não se ganha na educação e é proveito da inspiração.
"Conhece-te e constroi-te permanentemente." - foram as suas ultimas palavras antes de abandonar a floresta que o viu nascer e partir para o Mundo.

Quarta-feira, Setembro 16, 2009

The End of the road

Eu sou longínquo,como qualquer viagem que valha a pena.
Mais do que alguma vez saberei, o percurso modifica-nos... Molda-nos a carne e o espírito.
As rugas aparecem em redor dos olhos... As minhas são do Sol e da Maresia. Tal e qual as
minhas chagas são feridas que não curam... o Mar não deixa.. faz parte da viagem.
Viajando pela estrada escura, vislumbro o possível destino à esquerda, tanto quanto as luzes alcançam.
Convidativo.
Abrando quase como se fosse parar... Mas as mãos não me guiam para ali, e sem saber para onde
nem como, nem porque, continuo a avançar. Sucedem-se os acenares de Régio: "anda por aqui, anda por aqui." Mas não ireis por ai.
Será que algum viajante chegará sozinho ao seu destino?E interessa a viagem ou o destino?
Sabeis a facilidade com que as coisas se alteram e tomam o seu próprio e obrigatório rumo?
Pouco ou nada há a fazer... Podeis questionar o motivo, mas raramente tereis resposta pronta...
Quiçá um ou outro sorrir de compreensão quando finalmente se consegue vislumbrar o quadro todo.
O navegador exímio, é aquele que prevê a tempestade antes dela mesmo se formar, sem que isto afecte
o modo como o céu aberto o abraça e embala corrente fora.
Preocupação fora de tempo mata tão rápido quanto o vicio social fumegante. Não aniquila, vai destruindo,
infiltrando o nosso espírito e amordaça-o, amarra-o numa cave escura e mantém com ela uma relação
secreta durante os anos que se seguirem.
A indulgência quando dirigida aos outros é uma virtude, mas quando se trata de auto-indulgência, torna-se
um pecado. Pecado porém, não dos de carácter mortal, pois é tão doce quanto uma barra de chocolate
carente em casa.
E por isso, não faz mal prosseguir, sem parar, sem pensar, apenas sentir a vida a deslizar debaixo
pés e os cruzamentos um após o outro, passarem sem nada de muito mais interessante que os anteriores que
justifiquem a nossa paragem.
Haverá a saída perfeita, aquela que foi desenhada para nós. Existirá o destino que tem o nosso nome bem
assinalado e adaptado.
Ou não.
E acabareis a comer o chocolate amargo da auto-indulgência sozinho... no final da estrada.
dos nossos